Ex libris: a origem da marca que conta a história dos seus livros

Há livros que lembram uma viagem, uma pessoa ou uma fase da vida. Juntos, eles formam uma biblioteca que também diz algo sobre quem somos. Mas como deixar essa relação registrada nas próprias páginas?

Há séculos, leitores fazem isso com um ex libris: uma pequena marca que identifica o dono do livro e pode carregar um pouco de sua personalidade. Antes de chegar às nossas estantes em forma de carimbo personalizado, essa prática percorreu bibliotecas europeias, acompanhou doações e atravessou o Atlântico.

O que significa ex libris?

A expressão latina ex libris significa “dos livros de”. Quando acompanhada de um nome, indica que aquele exemplar pertence à biblioteca de determinada pessoa.

Historicamente, o ex libris impresso era uma pequena etiqueta colada na parte interna do livro. Nela, podiam aparecer o nome do proprietário, um brasão, uma imagem ou um lema. Hoje, essa identificação também é feita com carimbos, como os ex libris personalizados da Carimbei.

A escolha da imagem transforma a identificação em algo pessoal: um animal, uma flor ou um símbolo pode dizer tanto sobre o leitor quanto o nome que acompanha o desenho.

Onde surgiu o ex libris?

A vontade de identificar uma coleção é muito anterior ao livro impresso. Uma peça de faiança associada ao faraó Amenófis III e à rainha Tiye, no Antigo Egito, costuma ser citada nessa história. Sua função, porém, permanece incerta: segundo o Yale Peabody Museum, ela poderia identificar um rolo ou o local onde ele era guardado.

É um antecedente interessante, mas não permite estabelecer uma linha direta entre o Egito antigo e o ex libris que conhecemos.

As pequenas etiquetas impressas de propriedade bibliográfica surgiram nas regiões de língua alemã durante o século XV. A expansão da impressão e das bibliotecas criou um contexto favorável à prática: uma mesma marca podia ser reproduzida e colocada em vários volumes de uma coleção.

Os primeiros ex libris: um ouriço, um brasão e a memória de um doador

Entre os exemplares mais antigos conhecidos está o de Johannes Knabensperg, chamado Hanns Igler. Sua xilogravura apresenta um ouriço, em um jogo de palavras com o nome do proprietário. A referência especializada RDK situa a peça por volta de 1470–1480.

Esse pequeno detalhe revela algo que continua presente nos ex libris: o desejo de ser reconhecido por uma imagem escolhida para representar quem lê.

Outro exemplo célebre é o de Hilprand Brandenburg, apresentado pela Biblioteca de Yale como uma peça de cerca de 1480. Seu brasão aparece nos livros associados à sua doação ao mosteiro de Buxheim.

Nesse caso, a marca preservava também a memória de uma relação. O projeto de pesquisa sobre a biblioteca de Buxheim documenta anotações de doação que acompanhavam os ex libris; uma delas solicita orações pelo doador e pelas pessoas que ele desejava lembrar.

Identificar o proprietário, representar sua identidade e conservar sua memória eram funções que podiam coexistir. Como as datações dessas primeiras peças variam entre estudos, é mais preciso falar em alguns dos primeiros exemplares conhecidos do que apontar um único “primeiro ex libris” definitivo.

Como o ex libris chegou ao Brasil?

A história brasileira envolve tanto a produção local quanto a circulação de livros trazidos da Europa.

Um nome central é Manoel de Abreu Guimarães, ligado a Sabará, em Minas Gerais. Seu ex libris é apontado na historiografia especializada como o mais antigo brasileiro conhecido, com execução atribuída a José Joaquim Viegas de Menezes.

Segundo o estudo de Thalles Siciliano, o exemplar preservado na Biblioteca Nacional não tem data, e a indicação de catálogo o situa no fim do século XVIII ou início do XIX. Essa aproximação é importante: a documentação não permite atribuir um ano exato à peça.

Outro caminho bem documentado foi a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Rio de Janeiro. Embora a Corte tenha chegado em 1808, os livros vieram em três remessas, entre 1810 e 1811, conforme informa a Biblioteca Nacional.

Entre os itens desse acervo há um manuscrito com o ex libris de Guglielmo Dugood. A marca viajou com o livro, levando consigo um vestígio de sua trajetória anterior.

Esses registros ajudam a entender como a prática aparece no país, mas não estabelecem quando o primeiro ex libris entrou em território brasileiro.

Uma tradição que pode continuar na sua biblioteca

Ao encontrar uma marca de propriedade em um livro antigo, descobrimos algo sobre quem o guardou antes de nós. Ao criar a nossa, registramos uma ligação que também poderá ser reconhecida no futuro.

É essa dimensão pessoal que inspira a escolha de um ex libris. Você pode preferir um desenho delicado, uma composição com referências à natureza ou uma imagem ligada a uma lembrança. O resultado é uma assinatura visual para os livros que fazem parte da sua vida.

Na Carimbei, você pode conhecer os modelos de ex libris e escolher o seu, personalizando o nome conforme as opções de cada produto.

Se você imagina algo próprio, também pode conversar com a Carimbei sobre uma arte personalizada e exclusiva. Conte sua ideia, compartilhe referências e consulte as possibilidades de desenvolvimento de um ex libris feito para você.

Seus livros já contam muitas histórias. Seu ex libris pode contar um pouco da sua.


Fontes e leituras